A ditadura tanto no Brasil como em outros países, utilizaram da educação tradicional, para legitimar seus crimes contra a democracia e quem pensava de forma diferente dos militares, impuseram sua ideologia, tirando matérias por exemplo como filosofia, sociologia, história e geografia e colocando estudos sociais e cívica para transmitir sua ideologia e que os estudantes não questionassem a ordem estabelecida.
*SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2002. 2 ed. Belo Horizonte, Autêntica
Outro ponto que a teoria tradicional não leva em consideração é questão da vivência do aluno, sua realidade, seu pensamento, só tem como proposito passar o conteúdo, sem leva em conta o aprendizado do aluno.
A partir disso que alguns autores como Freire, Althusser, Apple*, entre outros, começam a criticar, questionar as teorias tradicionais do currículo e com intuito de transformar radicalmente a escola e seu currículo. Para esse autores que são considerados os críticos do currículo o importante não é desenvolver técnicas de como fazer um currículo, mas sim desenvolver conceitos que permita compreender o que ele faz.
É importante dizer que para esses autores a realidade econômica, política e cultural está muito presente ideologicamente no currículo, por mais que não apareça, ou muitas vezes estamos tão alienados que não percebemos essa ideologia dominante. As questões econômicas, políticas, sociais e culturais estão presentes pelo fato de muitas vezes ser passado o que o governo ou o país imperialista quer que seja dito, por exemplo, nas nossas escolas brasileiras o nosso conteúdo é extremamente voltado para a Europa e os EUA. Por esses países imperialistas quererem a dominação dos outros povos e buscar introduzir na cultura, na dependência economia e política os seus valores morais, seus costumes, seus produtos.
Outros autores das teorias dos currículos considerados pós críticos eles nos mostram que temos que ir além, trazer para a discutição da critica e do questionamento do currículo tradicional alguns pontos que os outros autores não trazem, mas ao meu ver contribuindo e não tirando totalmente as contribuições que os outros autores "críticos" deixaram para a teoria.
Trouxeram para a teoria como a questão do gênero, que é muito importante pelo fato de que não somente as questões econômicas e políticas são imposta ideologicamente, as relações entres homens e mulheres tem que ser levado para dentro da escola e ser problematizada e questionada o por que dessa desigualdade de gênero. Outro ponto é a teoria queer, que passa pensar que temos que levar as questões sobre o homossexualismo, numa perspectiva de levar que se temos pré conceito contra essas pessoas, é por que é uma construção social, em que só pode ter o heterossexual, se levarmos essa questão para dentro da sala de aula e mostras que isso é uma construção ideológica de que o homossexualismo é algo fora do comum e que não é normal. Temos sim que respeita as diferenças, mas entender se as diferenças existem, são dos humanos, que não é fora do comum.
Uma outra questão é a étnica e racial, em que muitas vezes não são levadas para dentro da sala de aula, em que somos humanos, não importa da aonde somos, se somos africanos, europeus, americanos, asiáticos, somos todos humanos, e nenhum ser humano é superior que outro, nem pela raça, etnia, sexo, opção sexual, ou até mesmo por ter mais estudo que os outros, somos todos seres humanos. Essa teoria veio para levar para o currículo que temos que questionar, e tentar compreender que é uma construção social, o pré conceito racial, étnico, sexual e também econômico.
Podemos concluir que as teorias contribuem muito para se pensar uma nova escola, uma escola que transforma sua realidade e de ver essa realidade. O currículo influência muito, em como a escola é e consequentemente na sociedade em geral. Porém não podemos ficar só na teoria e não partirmos para a prática, pois por mais que temos muitas teorias boas sobre o currículo da escola, a grande maioria das escolas essas teorias de uma nova escola não ocorre, o que acontece de verdade é uma escola que exclui, por ser pobre, por negro, por homossexual, por ser mulher, por ir de encontro com a ideologia da classe dominante.
Temos que apreender essas teorias, mas temos que ir para prática para sermos agentes da transformação da escola e da sociedade....
*SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2002. 2 ed. Belo Horizonte, Autêntica
